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Caesars pagará US$ 7,8 milhões por falhas de AML ligadas ao apostador Matt Bowyer

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Caesars Entertainment concordou em pagar uma multa de US$ 7,8 milhões após reguladores de Nevada acusarem a empresa de falhas repetidas em seus controles de prevenção à lavagem de dinheiro, relacionadas ao bookmaker da Califórnia Mathew Bowyer. Mesmo após anos de alertas internos sobre renda não comprovada e atividades classificadas como de alto risco, a Caesars continuou recebendo Bowyer em suas propriedades, incluindo o Caesars Palace, em Las Vegas.

Caesars sob pressão

Bowyer, 50 anos, começou a cumprir uma sentença federal de um ano em outubro. Antes visto como um dos maiores bookies dos EUA, ele ganhou notoriedade por movimentar mais de US$ 325 milhões em apostas feitas pelo ex-intérprete de Shohei Ohtani, Ippei Mizuhara. Relatórios internos apontaram repetidamente que a Caesars não conseguia verificar a origem dos fundos de Bowyer, ainda assim ele apostou durante anos em propriedades como Caesars Palace, Harrah’s Southern California e Harveys Lake Tahoe. De acordo com uma queixa de 21 páginas dividida em cinco acusações, a operadora ignorou alertas internos sucessivos sobre a renda não comprovada e o perfil de alto risco de Bowyer.

Segundo as autoridades, as infrações ocorreram entre o início de 2024 e antes de 2017. Caso seja aprovada em 20 de novembro, a multa será a terceira maior penalidade de AML aplicada este ano — atrás apenas de Resorts World (US$ 10,5 milhões) e MGM (US$ 8,5 milhões).

Principais alegações contra a Caesars Entertainment

Os reguladores apontaram cinco falhas graves na forma como a Caesars lidou com o cliente de alto risco Mathew Bowyer: o cassino aceitou milhões sem verificar a origem dos fundos; deixou de aplicar uma proibição imposta por outros estabelecimentos de Las Vegas; ignorou diversos sinais de alerta — incluindo reportagens na imprensa e a classificação de alto risco; não encaminhou o caso ao responsável por prevenção à lavagem de dinheiro; e nunca realizou uma investigação formal ou auditoria, apesar do volume significativo de transações em suas propriedades.

A crescente crise de AML em Nevada

Nevada, historicamente reconhecida por seu rigor regulatório, enfrenta agora uma onda de escândalos envolvendo prevenção à lavagem de dinheiro. O caso da Caesars soma-se a outras ações recentes, como a multa de US$ 5,5 milhões aplicada à Wynn Las Vegas, queixas envolvendo MGM e Resorts World relacionadas ao próprio Bowyer, além de relatos de uma investigação ainda em andamento no Fontainebleau no início do ano.

Em comunicado, a Caesars afirmou valorizar integridade e conformidade, destacou ter cooperado com as autoridades e reforçou seu compromisso em fortalecer os programas de AML e KYC. 

A empresa declarou: “Na Caesars Entertainment, integridade e conformidade regulatória são fundamentais. Cooperamos totalmente com o Nevada Gaming Control Board durante toda a investigação e seguimos comprometidos em manter programas sólidos de prevenção à lavagem de dinheiro e ‘conheça seu cliente’.”

Resposta regulatória e reforço da fiscalização

Os reguladores de Nevada já indicavam um endurecimento na fiscalização após os recentes casos de AML. George Assad, membro do NGCB, expressou frustração, enquanto Brian Krolicki, da NGC, classificou as multas como um “chamado de alerta”.

O novo presidente do NGCB, Mike Dreitzer, alertou que violações repetidas podem resultar em sanções cada vez mais severas. Ele afirmou que punições brandas podem ter ficado no passado. Segundo Dreitzer: “Multas geram manchetes, mas, para mim, o mais importante é garantir que os operadores — os licenciados — estejam tomando medidas corretivas, e que nós, enquanto órgão regulador, verifiquemos esse progresso. Não hesitaremos em reforçar a fiscalização, seja com multas ou com o que for necessário.”

A Caesars enfrenta mais dificuldades

A denúncia de AML agrava um ano já difícil para a Caesars. As ações da empresa caíram para abaixo de US$ 20, acumulando desvalorização de 41% no ano e 50% nos últimos 12 meses, enquanto sua dívida subiu para US$ 11,9 bilhões, superando Wynn e MGM. Embora a Caesars Digital continue registrando desempenho melhor que as operações físicas, analistas já especulam um possível spin-off diante da incerteza regulatória.

A empresa também enfrenta restrições para atuar em mercados de previsões (prediction markets) após novas advertências de reguladores de Nevada, além de sofrer um revés significativo com o fracasso de sua proposta de cassino na Times Square, rejeitada por oposição pública e sindical. No geral, 2024 tem sido marcado por pressões financeiras e desafios operacionais.

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