Drake, o streamer online Adin Ross e a plataforma de apostas em criptomoedas Stake foram incluídos como réus em uma nova ação coletiva de natureza civil baseada na lei RICO (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act), movida nos Estados Unidos. A informação foi divulgada por diversos veículos de imprensa. O processo se soma a uma lista crescente de disputas judiciais relacionadas à promoção de jogos de azar online e a supostas práticas de manipulação em plataformas de streaming musical.
A ação foi protocolada em 15 de dezembro de 2025 na Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste da Virgínia, em nome de duas autoras, LaShawnna Ridley e Tiffany Hines, identificadas como usuárias da Stake dentro dos EUA. Segundo as reportagens, o processo busca uma indenização mínima de US$ 5 milhões, além do pagamento de honorários advocatícios, e inclui o pedido de julgamento por júri.
No centro da denúncia estão alegações de que Drake, Ross, a Stake e um quarto réu, George Nguyen, teriam utilizado o recurso de gorjetas (“tipping”) da plataforma para transferir recursos entre si. De acordo com a petição, esse mecanismo teria sido empregado para financiar atividades artificiais de streaming, com o objetivo de inflar o número de reproduções das músicas de Drake nas principais plataformas digitais.
Stake e as alegações de jogo ilegal

O processo tem como foco a Stake.us, plataforma voltada ao público norte-americano e vinculada à operadora Stake, sediada em Curaçao. As autoras alegam que o site teria sido criado para contornar restrições após a proibição das operações da Stake.com nos Estados Unidos. Embora seja promovida como um cassino social, a ação sustenta que a plataforma utiliza um sistema de tokens digitais que podem ser trocados por criptomoedas ou cartões-presente, o que, na prática, viabilizaria apostas com dinheiro real.
Segundo a denúncia apresentada na Virgínia, Drake e Ross teriam sido remunerados para promover a plataforma por meio de apostas realizadas com moedas virtuais fornecidas pela própria Stake, criando a aparência de apostas de alto valor sem qualquer risco financeiro pessoal. As autoras afirmam que esse modelo promocional teria incentivado usuários a apostar dinheiro real sob condições enganosas.
Impactos na indústria musical
Além das acusações relacionadas ao jogo, o processo argumenta que o suposto esquema teria gerado efeitos mais amplos sobre o ecossistema musical. Ao criar streams artificiais, os réus são acusados de fabricar métricas de popularidade que influenciam rankings, playlists e a descoberta de conteúdo pelos consumidores. Segundo a petição, isso teria comprometido a integridade das plataformas de streaming, limitado o acesso a conteúdos legítimos e prejudicado artistas autênticos.
Drake já enfrentou ações coletivas semelhantes no Novo México e no Missouri ao longo de 2025. O processo na Virgínia foi protocolado após uma transmissão ao vivo recente em que o artista teria distribuído parte de seus ganhos com a Stake, episódio citado pelas autoras como mais uma evidência de promoção coordenada.
Resposta anterior da Stake a processos relacionados
Em um caso anterior movido no Missouri, a Stake rejeitou as acusações apresentadas. Em declaração concedida à SiGMA News em outubro de 2025, a empresa negou as alegações divulgadas pela mídia e afirmou que se defenderia de todas as acusações desse tipo.
A ação do Missouri, assim como outros processos apresentados em diferentes estados norte-americanos, acusava a Stake.us de operar serviços de apostas ilegais sob a aparência de jogos sociais.
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