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FATF alerta para riscos de financiamento ao terrorismo em jogos online

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey

A Força-Tarefa de Ação Financeira (FATF) alertou que jogos online e plataformas de apostas estão sendo cada vez mais explorados por terroristas e extremistas para disseminar propaganda, recrutar seguidores e levantar fundos.

No relatório “Atualização Abrangente sobre os Riscos de Financiamento ao Terrorismo”, publicado em 8 de julho de 2025, a FATF destacou que ecossistemas de jogos digitais — de videogames multiplayer a cassinos online — tornaram-se ferramentas atrativas para redes criminosas e grupos terroristas, devido à falta de regulamentação, ao alcance transfronteiriço e aos mecanismos internos de monetização.

“Criminosos conseguem lavar grandes quantias por meio de milhares de microtransações”, afirma o relatório. Segundo a entidade, alguns grupos extremistas já utilizam compras dentro do jogo, bens virtuais e até fichas de cassino para movimentar recursos e camuflar fluxos financeiros ilícitos.

“Essas transações representam sérios desafios para a aplicação da lei,”

– FATF

Apesar de a maioria das plataformas de jogos não permitir transações de alto valor, o relatório destaca que microtransações repetidas — como a venda de skins ou tokens — podem, ao longo do tempo, somar montantes expressivos e financiar operações radicais.

Pressão por medidas mais firmes

A FATF — que monitora estratégias sofisticadas de financiamento ilícito — manifestou preocupação com o uso crescente de plataformas de jogos digitais por organizações terroristas. 

Um dos pontos mais críticos identificados é o uso de ferramentas de comunicação interna, como chats de voz e texto, para incitar à radicalização e coordenar ataques individuais. Esses canais, relativamente seguros e sem supervisão direta, têm sido usados para conversas sobre logística e movimentações financeiras.

O relatório também aponta que itens virtuais — como armas digitais, avatares e skins — podem ser transferidos ou enviados como “presentes” sem deixar rastros, o que representa um enorme desafio para as autoridades. “Essas transações dificultam seriamente a aplicação da lei”, alerta a FATF.

Alguns grupos extremistas já deram um passo além. Organizações como o Hezbollah e redes ligadas a ideologias extremistas étnicas ou raciais (EoRMT) chegaram a desenvolver seus próprios videogames, incentivando os usuários a simular ataques reais. Esses jogos funcionam tanto como ferramentas de propaganda quanto como fontes de receita.

A FATF citou exemplos concretos para embasar o relatório. O Estado Islâmico (ISIS), por exemplo, já conseguiu converter pontos de jogos em moeda fiduciária. Já o grupo Al-Shabaab teria usado uma plataforma de apostas online registrada no Caribe para movimentar recursos destinados a atividades terroristas.

A natureza transnacional dessas práticas mostra como plataformas de apostas e jogos digitais são exploradas além das fronteiras, especialmente em jurisdições com baixa fiscalização.

Ásia sob risco crescente

A região asiática também se mostra vulnerável a essas práticas. Na Indonésia, a unidade de inteligência financeira (PPATK) revelou, em 2024, que fundos ligados ao terrorismo foram rastreados até carteiras digitais de jogos e apostas utilizadas por menores de idade. Nas Filipinas, autoridades realizaram operações em hubs de apostas offshore no ano passado, no âmbito da repressão aos POGOs. Nesses locais, foram encontrados sistemas de pagamento digital supostamente ligados ao crime organizado e a redes terroristas.

No passado, a FATF já havia alertado sobre a fragilidade do controle sobre jogos online em países como Camboja e Mianmar. Muitas dessas plataformas operam além das fronteiras, atendendo jogadores locais e internacionais, o que dificulta o monitoramento.

Os dados surgem em meio a um clamor crescente por maior regulamentação dos setores de jogos online e apostas. Especialistas alertam que, sem fiscalização adequada, essas plataformas podem se tornar terreno fértil para o financiamento do terrorismo.

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