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BOS contesta Svenska Spel e ATG sobre proibição de bônus na Suécia

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Um racha crescente vem se formando no setor de jogos da Suécia: enquanto a ATG e a estatal Svenska Spel defendem regras mais rígidas, a associação comercial BOS alerta que as propostas ameaçam a proteção ao consumidor e podem acelerar a migração para sites não licenciados. O embate envolve desde a proibição de bônus até regras de classificação de risco e novas limitações à publicidade — com ambos os lados acusando o outro de colocar o mercado regulado em risco.

Em entrevista à SiGMA News, o secretário-geral da BOS, Gustaf Hoffstedt, expressou preocupação com a pressão política exercida pela Svenska Spel, especialmente em relação à classificação de risco e às regras de publicidade. Ele argumenta que as propostas abririam espaço para que a estatal ganhasse vantagem competitiva às custas das operadoras privadas.

Proibição de bônus reacende críticas da indústria

O debate ganhou força depois que ATG e Svenska Spel defenderam o banimento total de bônus em todo o mercado licenciado. Em um artigo publicado em novembro, as CEOs das duas empresas afirmaram que eliminar completamente essas ofertas reforçaria a proteção aos consumidores.

Em resposta, a BOS publicou um contraponto, afirmando que a medida “beneficiaria exclusivamente Svenska Spel e ATG do ponto de vista comercial, à custa de uma piora na proteção ao consumidor na Suécia”.

Hoffstedt destacou que jogadores já estão abandonando o mercado regulado em grande escala em busca de plataformas não licenciadas, que oferecem incentivos muito mais agressivos. “Há um elefante na sala quando falamos de proteção ao consumidor: uma parte enorme dos consumidores simplesmente não está no mercado licenciado. Eles migraram para o mercado ilegal justamente por conta dos bônus extremamente generosos oferecidos ali”, afirmou. “Não precisamos de excessos no mercado licenciado, com bônus inflacionados, mas proibir até ofertas moderadas significa abrir mão da defesa do mercado regulado e da proteção que ele oferece.”

Em seu artigo, Hoffstedt também argumentou que ATG e Svenska Spel “ignoram completamente que os consumidores estão abandonando as empresas licenciadas em ritmo acelerado rumo a operadoras que atuam fora do mercado regulado”. Ele citou dados da própria ATG, segundo os quais “o volume de jogo em cassinos online não licenciados já representa pouco mais de 40% do faturamento total”.

Ele alertou que eliminar bônus para novos jogadores pode empurrar ainda mais consumidores para o lado ilegal. “Se essa proposta avançar, provavelmente ainda não chegamos ao fundo do poço em relação à queda da participação de jogos licenciados”, escreveu, destacando o caso dos Países Baixos, onde mais da metade do mercado já está irregular.

Restrições de publicidade alimentam debate sobre concorrência

“Svenska Spel quer um sistema de classificação de risco, e acredito que esse sistema apontaria loterias como produtos de baixo risco e cassinos online como produtos de alto risco”, afirmou Hoffstedt à SiGMA News. Com essa classificação, explicou, a empresa defende que “jogos de maior risco” fiquem sujeitos a regras adicionais — como limitações severas ou proibição total de publicidade.

Hoffstedt alerta que isso daria à Svenska Spel uma vantagem desproporcional, já que é “a única operadora da Suécia que atua tanto no mercado monopolizado quanto no mercado competitivo”. Ele lembra que a empresa “detém o monopólio das loterias, usando sua marca amplamente reconhecida, mas ao mesmo tempo compete com cerca de cinquenta operadoras privadas no segmento de cassino online e apostas”.

Ele acrescentou que a análise da BOS com base nos dados do Swelogs traz um elemento muitas vezes ignorado no debate: o gráfico abaixo mostra que loterias e jogos numéricos são, na verdade, os produtos mais consumidos por jogadores problemáticos (PGSI 3+), superando até mesmo caça-níqueis e cassinos online.

Fonte: BOS.

Comentando sobre os dados, Hoffstedt observa: “Loterias aparecem mais frequentemente entre jogadores problemáticos do que o cassino online. Isso não significa que sejam mais perigosas, mas mostra que produtos amplamente populares também atraem jogadores vulneráveis — em volume até maior que o cassino online.”

Segundo a BOS, isso reforça a necessidade de regulamentação baseada em evidências — e não na suposição de que produtos estatais são, por definição, de baixo risco.

As consequências, diz Hoffstedt, são claras: “Se a Svenska Spel conseguir aprovar uma proibição de publicidade no mercado competitivo, ela manterá, na prática, um monopólio sobre a comunicação comercial.”

Svenska Spel pressiona por classificação de risco e regras mais duras para menores de 25

A disputa sobre bônus é apenas uma parte de um embate regulatório maior. Em outro artigo, publicado em outubro, a CEO da Svenska Spel, Anna Johnson, apresentou 18 propostas para, segundo ela, reforçar a proteção ao consumidor e recuperar a confiança no mercado licenciado.

Johnson afirma que a Suécia está longe da meta definida em 2019, que previa canalização de 90% para operadoras licenciadas. “Operadores ilegais ainda têm forte presença, problemas com jogos estão aumentando entre jovens e mulheres, e praticamente todo o crescimento vem de jogos de alto risco como cassinos online”, escreveu.

Entre as principais propostas, está a criação de um sistema legal de classificação de risco para que produtos como cassinos online enfrentem regras mais rígidas de publicidade e monitoramento de jogadores. Johnson argumenta que “nem todas as formas de jogo representam o mesmo nível de risco” e que cassinos online “estão fortemente associados ao endividamento e ao jogo problemático”.

Ela também defende proteções mais rígidas para jovens adultos, incluindo limites de gastos, proibição de marketing direto e intervenções mais rápidas para jogadores menores de 25 anos. Johnson volta ainda a defender o bloqueio de DNS para impedir o acesso a operadoras não licenciadas, citando resultados positivos na Dinamarca, Noruega e Singapura.

Um setor dividido sobre como proteger o consumidor

Ambos os lados afirmam buscar o mesmo objetivo: fortalecer o mercado licenciado e proteger os consumidores. Mas as soluções propostas seguem caminhos completamente diferentes.

Para a BOS e suas associadas, medidas que tornam o mercado legal menos atraente só aceleram a migração para sites offshore sem qualquer garantia. Hoffstedt argumenta que Svenska Spel e ATG, apesar de sua missão pública, estão na prática tentando “defender sua fatia de mercado em um ambiente de licenças cada vez menor”, em vez de fortalecer o ecossistema regulado.

Já a Svenska Spel sustenta que regras mais sólidas — desde proteção aos jovens até o bloqueio de sites ilegais — são essenciais para conter o crescimento dos cassinos online de maior risco e recuperar a confiança do público.

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