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Bélgica: BAGO pede padrões de segurança da UE e rejeita licença única

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Operadores de jogos da Bélgica defendem maior coordenação na segurança do jogador, mas alertam que licença pan-europeia pode provocar “corrida para o fundo do poço”.

Proteção sem desregulação

Enquanto a Europa caminha para um padrão comum de monitoramento de danos relacionados ao jogo, a associação belga BAGO faz um apelo a Bruxelas: priorizar a proteção dos jogadores em vez da liberalização do mercado e resistir à pressão por um suposto “passaporte europeu” para licenças de jogos.

Em entrevista à SiGMA News, a BAGO destacou que sua prioridade não é harmonizar licenças em toda a Europa, mas garantir um nível consistente de segurança para os jogadores, independentemente de onde joguem. “A BAGO defende uma abordagem unificada e orientada por resultados para a proteção do jogador em toda a Europa, enfatizando que todos os jogadores devem se beneficiar de um padrão elevado de segurança, independentemente de sua localização.”

A associação argumenta que a coordenação europeia é necessária, mas apenas nos objetivos que realmente importam para os consumidores, e não no acesso ao mercado.

“O princípio da livre prestação de serviços garante que qualquer empresa europeia possa solicitar uma licença para operar em qualquer Estado-membro. No entanto, isso não concede acesso desregulado. O mercado é aberto, mas regulamentado, e a liberdade de prestar serviços vem com a responsabilidade de cumprir os padrões legais e de proteção do jogador estabelecidos por cada país anfitrião.”

Para a BAGO, essa distinção é crucial: é a harmonização de padrões, e não de licenças.

Licença única na UE? Temor de “corrida para o fundo”

Com disputas legais transfronteiriças crescendo, especialmente entre Malta e Alemanha ou Áustria, algumas vozes do setor defendem uma licença europeia que permitiria a operadores autorizados em um Estado-membro operar automaticamente em toda a UE. A BAGO rejeita essa ideia.

“Dadas as significativas diferenças sociais e culturais entre os países da UE, um passaporte europeu único para jogos não é uma solução viável nem desejável. Tal abordagem provavelmente desencadearia uma corrida para o fundo, comprometendo os padrões nacionais de segurança e causando perda de soberania e controle sobre um setor crítico de saúde pública e tributação.” 

A associação defende que a UE deve focar nos resultados: proteger os jogadores, prevenir danos e reduzir o mercado ilegal. Uma ferramenta proposta é um alvo mensurável de canalização (percentual do jogo realizado com operadores licenciados). “Um objetivo como uma taxa mínima de canalização de 85% serviria como métrica quantificável”, explica a BAGO, “forçando os Estados-membros a demonstrar que as ofertas legais são seguras e atraentes o suficiente para manter os jogadores longe de ambientes não licenciados.”

Fornecedores e provedores de pagamento no centro da estratégia

A BAGO também defende que a regulação mais eficaz não está apenas na concessão de licenças, mas na cadeia de fornecimento de jogos, especialmente tecnologia e pagamentos.

“A política da UE deve evoluir para regular a cadeia de fornecimento, exigindo conformidade dos prestadores de serviço. Isso significa obrigar fornecedores B2B a atender apenas mercados licenciados e exigir que sistemas bancários e de pagamento bloqueiem ativamente transações para jogos ilegais.” Ao mirar nos intermediários, o setor acredita que sites ilegais seriam simplesmente privados de serviços essenciais.

Essa abordagem responde, em parte, às disputas legais recentes. Nos últimos anos, tribunais alemães e austríacos ordenaram que operadores licenciados em Malta reembolsassem perdas de alguns jogadores, enquanto Malta respondeu com legislação que protege operadores de decisões estrangeiras. A posição belga é que, em vez de tentar desmantelar os sistemas de licenciamento país por país, a Europa deve privar o jogo não licenciado de infraestrutura.

Transformando indicadores de risco em prática

Além da estrutura legal, a BAGO defende um padrão europeu mínimo de jogo responsável. A associação apoia a adoção dos novos “marcadores de dano” desenvolvidos pelo Comitê Europeu de Normalização (CEN) — indicadores comportamentais baseados em dados que ajudam a identificar práticas de jogo de risco mais cedo.

“Esses padrões europeus oferecem uma base científica unificada para implementação nacional”, diz a BAGO. A associação acrescenta que já “implementa esses padrões” em sua carta de Dever de Cuidado e acredita que a UE deve usá-los para criar um padrão mínimo de proteção em todos os Estados-membros.

A BAGO quer que esses princípios também sustentem sistemas de autoexclusão, permitindo que registros sejam compartilhados entre países da UE, evitando que jogadores que se bloqueiam na Bélgica simplesmente cruzem a fronteira para contornar o sistema. “O tamanho reduzido da Bélgica torna isso especialmente relevante: os belgas, portanto, são mais impactados que outros europeus.”

Cooperação europeia

Os operadores reforçaram essa posição em comunicado após a aprovação dos indicadores de dano pelo CEN. “Fortalecer a cooperação europeia é essencial para estabelecer critérios consistentes e transparentes para plataformas online”, afirmou o comunicado, acrescentando que o novo padrão “oferece aos operadores ferramentas concretas de jogo responsável, transformando compromisso em ação mensurável.”

O grupo sinalizou ainda a intenção de ajudar os membros a integrar o novo sistema: “A BAGO se compromete a apoiar ativamente seus membros na implementação desses indicadores em suas políticas de Jogo Responsável.” E enfatizou que o jogo responsável não é um complemento, mas o núcleo da missão da associação: “Uma política de jogos segura, justa e responsável está no centro de nossa missão.”

Para os operadores licenciados da Bélgica, a harmonização deve elevar padrões, não reduzi-los. Em outras palavras, a Europa deve ser um campo de jogo nivelado, e não o menor denominador comum.

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