A Kalshi, bolsa de previsões regulamentada em nível federal nos Estados Unidos, registrou um volume recorde em seus mercados esportivos, com o futebol americano de sábado à noite movimentando mais do que um dia de eleição presidencial.
O cofundador e CEO da Kalshi, Tarek Mansour, anunciou no domingo que a plataforma “oficialmente superou o Dia da Eleição” após registrar US$ 260 milhões em volume de negociações e 763 mil operações na noite de 27 de setembro. “Nada supera o futebol nos Estados Unidos”, escreveu em sua página no LinkedIn.
Um diferencial da Kalshi é que seus contratos estão disponíveis em todos os 50 estados, ao contrário das casas de apostas esportivas tradicionais, que dependem de licenciamento estadual. Para Mansour, isso é uma vantagem em locais onde as apostas esportivas ainda não são legalizadas: “Legal em todos os 50 estados, significa que torcedores de lugares como Texas e Califórnia não precisam mais recorrer a operadores ilegais no exterior, que não tratam seus clientes de forma adequada.” Apesar disso, o argumento tem gerado controvérsias.
O futebol toma a dianteira sobre a política
Antes referência máxima de engajamento na plataforma, a noite de eleição foi ultrapassada pelas negociações ligadas ao futebol. O recorde foi alcançado em um fim de semana intenso da NFL, que incluiu jogos de destaque do futebol universitário e apostas em partidas profissionais.
Duas semanas antes, Mansour já havia antecipado o potencial do futebol para rivalizar com a política. Em outro post no LinkedIn, afirmou: “A Kalshi movimentou US$ 441 milhões desde o kickoff da NFL. Foram US$ 441 milhões em apenas quatro dias. A semana 1 da NFL equivale praticamente a uma eleição presidencial nos EUA. Estamos avançando.”
Expansão de produtos e liquidez crescente
Nos últimos 12 meses, a empresa ampliou sua oferta ao solicitar à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) a auto-certificação de contratos de eventos no formato parlay, criados especificamente para a temporada de futebol. Esses contratos permitem combinar múltiplos resultados, aproximando-se das apostas esportivas tradicionais, mas ainda sob o regime regulatório de contratos de eventos.
A Kalshi se posiciona como alternativa transparente e supervisionada em nível federal ao mercado ilegal de apostas esportivas que ainda predomina em várias partes dos EUA. Essa proposta tem atraído traders e apostadores, que migraram em números recordes para a plataforma.
Há quatro semanas, Mansour destacou o movimento da semana de abertura do futebol universitário: “Os traders esportivos, especialmente os profissionais, estão operando com valores significativos na Kalshi, montando posições de seis dígitos graças à nossa liquidez.” Ele acrescentou que a empresa já oferece “a maior liquidez de qualquer bolsa nos EUA, com milhões de dólares no livro de ofertas se tornando algo rotineiro”.
Concorrência, resistência e desafios regulatórios
Apesar do crescimento, a ascensão da Kalshi encontra resistência. Uma pesquisa da American Gaming Association (AGA) aponta que 85% dos norte-americanos veem os mercados de previsão não como instrumentos financeiros, mas como produtos de apostas. Além disso, 84% acreditam que contratos esportivos deveriam ser oferecidos apenas por casas de apostas licenciadas pelos estados, e não por bolsas reguladas em âmbito federal.
“Os americanos são claros: contratos de eventos esportivos devem ser tratados como apostas esportivas e ficar sob a alçada regulatória estadual e tribal, não sob reguladores federais de commodities”, afirmou Bill Miller, presidente da AGA.
A questão ocorre em meio a disputas de jurisdição. Hoje, 29 de setembro, a CFTC e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) realizam uma mesa-redonda conjunta para discutir contratos de eventos e possíveis lacunas de supervisão. Ligas esportivas, como a Major League Baseball, também pressionam por regras mais rígidas diante de preocupações com integridade e confiança do público.
Operadores tribais e reguladores estaduais também entraram na disputa. Ações judiciais em Wisconsin e Califórnia alegam que os contratos da Kalshi configuram apostas esportivas, invadindo direitos de operação de tribos indígenas.
Bilhões movimentados e milhões de usuários
Apesar das críticas, a Kalshi segue expandindo. Desde seu lançamento em 2019, já movimentou cerca de US$ 9 bilhões em negociações, segundo dados da Dune Analytics, e conta atualmente com cerca de 3 milhões de usuários.

Para Mansour, isso é apenas o começo: “Pela primeira vez, torcedores em todo o país têm condições iguais. Ainda estamos apenas no início da partida. Neste fim de semana, movimentamos bem mais de US$ 100 milhões. Agora, trabalharemos para multiplicar esse número por dez.”
Se essa ambição resistirá às disputas legais e a um endurecimento regulatório ainda em discussão, será o grande teste para a trajetória acelerada da Kalshi.
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