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UKGC: mercados de previsão passarão a ser regulados como jogos de azar

Neha Soni
Escrito por Neha Soni
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Comissão de Jogos do Reino Unido (UK Gambling Commission – UKGC) emitiu um alerta claro sobre o status dos mercados de previsão, afirmando que esse tipo de produto provavelmente será enquadrado na regulamentação de jogos de azar caso seja oferecido na Grã-Bretanha e não poderá operar fora do atual regime de licenciamento.

Em um comunicado que aborda o crescente interesse pelos mercados de previsão — especialmente após sua rápida expansão nos Estados Unidos —, o regulador afirmou que o surgimento dessas plataformas gerou questionamentos sobre como elas seriam tratadas pela legislação britânica.

“O surgimento dos chamados ‘mercados de previsão’ é um desenvolvimento relevante nos Estados Unidos”, afirmou a Comissão. Segundo um relatório recente da Eilers & Krejcik Gaming, esses mercados podem se transformar em uma indústria de US$ 1 trilhão no país. “Como resultado, recebemos consultas sobre como eles impactariam a regulamentação de jogos de azar na Grã-Bretanha.”

Os mercados de previsão são plataformas que permitem aos usuários negociar contratos baseados no resultado de eventos futuros, incluindo esportes, política e mercados financeiros. Embora a forma de apresentação desses produtos possa diferir das casas de apostas tradicionais, o regulador britânico deixou claro que a aparência não se sobrepõe à essência na avaliação do enquadramento regulatório.

Regras de bolsas de apostas se aplicariam

De acordo com a legislação do Reino Unido, qualquer produto comercial que se enquadre na definição de jogo de azar deve ser licenciado e regulamentado pela Comissão de Jogos, com exceção das apostas de spread betting, que ficam sob a responsabilidade da Autoridade de Conduta Financeira (FCA, na sigla em inglês).

“Dependendo do modelo de negócio específico que um operador de ‘mercado de previsão’ pretenda oferecer na Grã-Bretanha, parece que os produtos atuais se enquadrariam na definição de um ‘Intermediário de Apostas’ segundo a legislação britânica”, afirmou a Comissão.

O regulador acrescentou que, apesar das diferenças de marca ou experiência do usuário, os mercados de previsão se assemelham fortemente às bolsas de apostas já existentes no Reino Unido.

“Embora a apresentação dos mercados de previsão possa ser diferente, seus aspectos centrais são semelhantes ao que, no Reino Unido, seria descrito como uma ‘Bolsa de Apostas’”, disse o órgão, observando que “a licença de intermediário de apostas existe justamente para cobrir esse tipo de modelo de negócio”.

A Comissão também destacou que as bolsas de apostas não são uma novidade no mercado britânico. “Enquanto os mercados de previsão são um desenvolvimento relativamente recente nos Estados Unidos, as bolsas de apostas existem no Reino Unido desde o ano 2000”, afirmou.

Proteção ao consumidor e fiscalização

A UKGC ressaltou que os operadores licenciados estão sujeitos a obrigações regulatórias rigorosas, voltadas à proteção dos consumidores e à integridade do mercado.

“Quando as atividades se enquadram em nossa esfera regulatória, os operadores licenciados estão sujeitos a uma série de exigências sobre como oferecem seus produtos e serviços”, afirmou a Comissão. Entre elas estão requisitos relacionados à “proteção do consumidor, à equidade, à integridade dos mercados de apostas e à prevenção de crimes”.

O regulador acrescentou que monitora ativamente o cumprimento dessas normas e não hesitará em agir caso sejam descumpridas. “Analisamos de forma contínua a conformidade com esses requisitos e adotamos medidas de fiscalização sempre que os padrões não são atendidos”, declarou.

Alerta aos operadores sem licença

A Comissão também emitiu um aviso direto aos operadores de mercados de previsão que atualmente atuam fora do regime de licenciamento do Reino Unido. “Se um operador de mercado de previsão lançasse suas operações aqui na Grã-Bretanha, não acreditamos que poderia se classificar como um produto que não seja de jogo de azar”, afirmou.

Os operadores sem licença britânica foram orientados a garantir que não estejam interagindo com consumidores do Reino Unido. “Os operadores atuais de mercados de previsão que não são licenciados na Grã-Bretanha devem tomar medidas para assegurar que não estejam direcionando suas atividades nem realizando transações com consumidores britânicos”, disse a Comissão, acrescentando que “existem infrações criminais associadas à operação sem a licença apropriada no país”.

Diferenças estruturais limitam o apelo no Reino Unido

O regulador sugeriu ainda que os mercados de previsão podem ter um incentivo comercial limitado na Grã-Bretanha devido à maturidade do mercado local de apostas. “É improvável que os motores comerciais dos mercados de previsão sejam os mesmos aqui e nos Estados Unidos”, afirmou a Comissão, apontando para “diferenças significativas entre o mercado de jogos de azar da Grã-Bretanha e o dos Estados Unidos”.

Enquanto as apostas esportivas nos EUA se expandiram por meio da legalização estado por estado, o Reino Unido opera sob um único arcabouço regulatório nacional. “As apostas esportivas estão estabelecidas e disponíveis em toda a Grã-Bretanha dentro de um único marco regulatório abrangente”, observou a Comissão.

Situação dos mercados de previsão nos Estados Unidos

Atualmente, os estados norte-americanos estão envolvidos em um embate jurídico com reguladores federais sobre se os mercados de previsão devem ser considerados uma inovação financeira ou jogo ilegal. Embora a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) tenha recentemente adotado uma postura favorável ao enquadramento dessas plataformas como derivativos regulados, estados como Nevada, Massachusetts e Tennessee emitiram ordens de restrição e notificações de cessar e desistir para bloquear operações que consideram apostas não licenciadas.

Por outro lado, estados como Illinois e Iowa estão tentando monetizar a tendência por meio de tributação elevada e taxas altas de licenciamento, criando um cenário jurídico fragmentado no qual a possibilidade de um usuário negociar nesses mercados depende, muitas vezes, exclusivamente do seu código postal.

Illinois foi o mais recente a se juntar à lista de estados que buscam regular e tributar os mercados de previsão. O estado apresentou uma proposta legislativa que restringiria significativamente esse tipo de plataforma, incluindo a proibição de mercados ligados a eventos esportivos, conforme relatado pelo advogado especializado em jogos Daniel Wallach. A proposta é inspirada no projeto ORACLE, de Nova York. Já Iowa apresentou recentemente o Senate File 2085, uma iniciativa que imporia novas exigências regulatórias e fiscais aos mercados de previsão que operam no estado.

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